Apesar de nunca ter me acertado muito bem com a matemática, reconheço que ela tem sua importância no mundo. Em muitas áreas ela é o suporte para o entendimento de como as coisas funcionam. Mas... Não acredito que ela seja a resposta definitiva em especial para situações que envolvem fatores humanos ou biológicos e ainda mais quando envolvem os dois juntos. Digo isso porque vi num jornal velho a seguinte notícia: "O fator masculino da menopausa", onde um biólogo diz que talvez as mulheres entrem na menopausa numa determinada idade porque homens preferem mulheres jovens desde o tempo das cavernas. E ele se baseia em números para chegar à essa conclusão. Claro que pesquisas que falam "desde o tempo das cavernas" não podem ser levadas muito a sério e no próprio jornal se dizia que não há provas dessa maluquice, mas pesquisas que apontam como explicação para fatos os números estão sempre por aí.
Utilizar cálculos de estatísticas para conectar um fator social (homens preferirem as jovens) com um fator biológico (mulheres entrarem na menopausa) é uma estratégia bastante comum. Essa seção da super interessante é recheada de exemplos dessas pesquisas. Em todas elas são apresentados números de pessoas que fizeram isso ou aquilo, nessa ou naquela situação e levam a conclusão do título. Obviamente são levadas como uma brincadeira pela revista, ao contrário da matéria sobre o fator machista masculino da menopausa. O problema não é calcular quantos homens preferem mulheres jovens, o problema é parar por aí e não se aprofundar no porque de se ter obtido esses resultados. O biólogo da matéria no jornal não leva em conta que vivemos numa sociedade machista que valoriza as mulheres jovens e que os homens podem, sei lá, serem influenciados por ela durante suas vidas. Ele toma como verdade que gostar das jovens é algo natural, estabelecido pela evolução e essa é a sua base para o resto da pesquisa. Não faço ideia se os nossos colegas pré-históricos realmente preferiam mulheres jovens (nem se todos os homens de todas as épocas e em todas as culturas tinham essa mesma ideia), mas sei de muitos outros motivos que podem levar a esses dados. Também consigo lembrar que, ao contrário do que ele diz, não são só humanos, mas todas as fêmeas já nascem com o número definitivo de folículos ovarianos, que um dia acabam e não é essa a definição de menopausa?
Números são fatos, mas não são definitivos. Não dá pra se tirar conclusões apenas deles e acho que eles ficariam mais felizes em não serem usados para provar teorias misóginas, que pudessem servir de reflexão para mudanças e não de motivação para conclusões descabidas.
Números são fatos, mas não são definitivos. Não dá pra se tirar conclusões apenas deles e acho que eles ficariam mais felizes em não serem usados para provar teorias misóginas, que pudessem servir de reflexão para mudanças e não de motivação para conclusões descabidas.